Esse parece ser o conceito adotado pela Casa Civil da Presidência
e pelo próprio presidente da República, Luiz Inácio
Lula da Silva.
Ao liberar, através de um decreto presidencial, a importação
de pneus usados, o país abre as portas para a compra de lixo
dos países membros do Mercosul e de países do Primeiro
Mundo – o que já vinha acontecendo. Como se já não
bastasse ter que engolir os absurdos impostos pelos países
ricos, agora teremos, com o aval de um decreto, que convivermos
com o resto que não serve para nossos vizinhos do Mercosul.
A liberação para a importação de pneus
usados recauchutados ou não, tem um aspecto demasiadamente
lobbysta, impulsionado pelo Tribunal Arbitral do Mercosul, por países
vizinhos e até empresas.
Será que já começou. O governo já estaria
abrindo a porteira. O que o presidente Lula acha que vamos fazer
com esses (restos) pneus. Será que Lula sabe que a vida útil
de uma material nesta condição é quase 60%
inferior ou que um produto desta natureza atrelado as péssimas
condições de nossas estradas, da qual foram cortadas
verbas para manutenção, podem levar a acidentes e
até a morte de seus usuários. Será que o presidente
sabe que ainda estamos engatinhado no processo de reciclagem comum,
quem dera a de pneus – apesar de ter havido um aumento significativo
nos últimos anos. Isso sem falar da dengue, uma prato, quer
dizer um pneu cheio para o mosquito e uma epidemia. Que vantagem
leva Maria nesta história. Quais são os benefícios
para o Brasil, uma diferença na balança comercial.
Que tipo de política é essa?
Quando nome de Marina Silva foi confirmado para o Ministério
do Meio Ambiente, o setor “mais interessado” aplaudiu de pé,
inclusive o que vos escreve. Mas de que adianta uma pessoa deste
gabarito, se nem ao menos é consultada, afinal o ministério
de Marina diz que a conversa ainda não está encerrada.
Porém, o fato é que o decreto já saiu no Diário
Oficial. Que o nosso excelentíssimo presidente da República
pouco entendia de meio ambiente eu já desconfiava – apesar
da indicação de Marina Silva, que parecia mais que
óbvio –, mas começar desta forma é um mau presságio.
Além de termos que aceitar este desvario, somos obrigados
a ter que descer goela abaixo uma explicação no mínimo,
absurda. Uma das justificativas para a importação
do produto de qualidade e procedência duvidosa é o
custo mais baixo que o produto brasileiro e a qualidade superior.
A conta de tudo isso é muito simples, e ela não aparece
na balança comercial: pneus usados têm tempo de vida
útil reduzido, ou seja, vão para o lixo mais rápido.
E o que fazemos com esse resíduo? Exportamos? Quem irá
comprar nosso lixo? Afinal o lixo dos outros é melhor que
o nosso.
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